sexta-feira, 9 de julho de 2010

Disponíveis

para Cátia Cylene

na medida de nossas vontades

e na intensidade certa

acontece

com olhar

toque

e beijo



tão diferentes

e iguais

ao mesmo tempo

disponíveis

e opostos

que se atraem

no encaixe perfeito


terça-feira, 6 de julho de 2010

DERRADEIRO

Sou o pássaro abatido

a mancha de pálida penugem


Sou as lágrimas transbordantes

a inundação melancólica


Sou a fria rajada

a minha própria atrocidade


Sou o defunto recém enterrado

o triste grito de agonia


Sou a alma que vagueia

sou do outro mundo


sou o fim de tudo isso!


sexta-feira, 2 de julho de 2010

O mais lindo poema

para Cátia Cylene


és o mais lindo poema
que o poeta escreve

tens ritmo
no corpo,
sonoridade
na voz

e muito significado
em tudo o que és

és pura linguagem
és amor
que me fascina


amor intenso
amor que brilha
amor que dá vida

és o vento
que faz oscilar as árvores
e a minha vida

és real
e não sonho,
nem utopia.

terça-feira, 29 de junho de 2010

RODA



Roda que move o mundo,
da engrenagem da vida

Roda que esmaga o chão
que pisamos

Roda de moinhos
que moem o trigo

Roda de amigos
que discutem futilidades

Roda de fogo
que amestrados atravessamos

Roda de Amor
que há corações puros

Roda da vida
que fecha o ciclo...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

DE QUEM SÃO ESSES PASSOS?

Passos repentinos

Que surgem de qualquer lugar

Passos inseguros

Sem destino a tomar

Passos atrozes

Que se arrastam com crueldade

Passos clementes

De mais pura bondade

Passos leves

Como pluma ao vento

Passos tristes

Que choram o sentimento

Passos narcisistas

Demasiado vaidosos

Passos ternos

Afagáveis e carinhosos

Passos displicentes

Apatia das pessoas

Passos do fim

A vida escoa...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Na janela aberta sopra o vento forte

Baco está presente
e disso não tememos
mais uma garrafa
e será o deus supremo

Ele é o senhor do vinho
Que da fonte faz jorrar,
Não termina
até ordenarmos
a hora e a vez de parar

Somos todo líquido
fermentado
E fermentada
vai ficando nossa alma

A noite vai brilhar
Cá estamos
fazendo versos sem cessar...

A noite é uma criança inebriante
Quando crescer será rebelde
Nos mais altos montes
será imponente.

Dá até pra ouvir
o cri-cri
dos grilos
lá fora
E também a imensidão da noite

Isso é mais um sinal
da noite que nos envolve...

Na janela aberta
sopra o vento forte...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Céu

para Cátia Cylene


Noite após noite
líamos Rayuela.

E no intervalo:

o nosso ler-beijar-ler.

Atingimos o Céu.